18 de set. de 2026

 quando eu te conheci naquele café, eu era outra

e você, o mesmo

eu estava altamente enebriada de mim mesma

vivendo o meu sonho

ganhando bem

trabalhando melhor ainda

na cidade adorada

(isso por fora)


por dentro eu vivia o fracasso de ser expulsa de uma vida construída 

rejeitada por um amor que não me quis como amor

me doía tanto que eu fingi que nada.

mas tudo.


então, quando eu te conheci, eu era uma sombra feliz de uma mulher triste

(não se troca de casamento, como se troca de roupa)

e eu falei da minha rareza, da minha fortuna, do que eu queria e do que eu não queria

você, sombra, também adorou


e fomos felizes até o amanhecer


o sol vem, destrói o breu, sobramos cinzas, recolhidas num meio-fio qualquer


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