quando eu te conheci naquele café, eu era outra
e você, o mesmo
eu estava altamente enebriada de mim mesma
vivendo o meu sonho
ganhando bem
trabalhando melhor ainda
na cidade adorada
(isso por fora)
por dentro eu vivia o fracasso de ser expulsa de uma vida construída
rejeitada por um amor que não me quis como amor
me doía tanto que eu fingi que nada.
mas tudo.
então, quando eu te conheci, eu era uma sombra feliz de uma mulher triste
(não se troca de casamento, como se troca de roupa)
e eu falei da minha rareza, da minha fortuna, do que eu queria e do que eu não queria
você, sombra, também adorou
e fomos felizes até o amanhecer
o sol vem, destrói o breu, sobramos cinzas, recolhidas num meio-fio qualquer
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