5 de dez. de 2007

.
ver ar que te pego no respiro
louca de tanto ficar: oxigenada
sou morena de asas abertas para a vida
.
balanço
tamanho é o oxigênio que tiveram que cortar.me.dá.paredes lisas
pedreiro e massa corrida
orlando, preciso descansar

..
aguardo a hora da visita pois quero te ver chegar
respirar o seu cheiro de tinta no papel
.
dizem que a memória do sentido nos pega fundo
na esquina sinto te bancando o escritor
enquadra sua telas
no banho, espumo.
enquanto reflete, brilho.
.
um livro escrito sobre mim que queima o seu filme
fora do box você pinga e eu em quadro tirando proveito dessa tela abstrata
sem tinta, sem cor: você água
a câmera treme.
são bolhas de ar.

..
nesse charme secular eu olho tanto que fico seca
pálpebras pra cá escancaradas
cabelo preto e olhos pintados
o charme e seu olhar
cinema por entre cachecóis

..
adorava me falar de lãs, bezerros e dons.
sem dizer verbos fortes que detesta (como esse).
e isso não é mentira que se faz e isso não é sorriso que some
e aquilo?
o que é não saber?
sem respostas.
.
Dom, o toureiro, veste suas meias verdades.

...
(e dentro de um ventríloquo existe o que?)
o homem sem som algum que direciona seu falo pra lá
(pé quente é quem tem azar, é?)
havia barulho enquanto o sono era veneno puro
(a lei protege os que acordam cedo?)
tim tim tim
dó ré lá em cima do piano
(e há quem tenha muita sorte, mentira?)
.
(V)
(F)
Exato.

....
sinceramente, eu não entendo uma linha sua
a letra, essa confusão, maiúsculas
ou tudo junto.
e a falta que me faz é tão obesa que teremos que operar.
serei meticuloso, pode se arrepender até.
mas aí eu espero que te entenda entre tanta ausência
as linhas ficam mais definidas, menos minúsculas
.
acho que te acho assim, meio Caps, meio Lock.

24 de nov. de 2007


Quando eu saí do seu prédio você estava lá, de peito aberto, debruçado na janela.
Eu, embaixo, entrei no carro. Antes, levei os dedos aos meus lábios e joguei-lhe: dedos apenas.
Pelo sorriso seu, do peitoral, pensou serem beijos ao ar.
Lançou-me mil e eu, desviando.
Daquela noite sem beijos.
Noir.
Não tenho prazo.
Não tenho pressa.
Vivo.
Sem empurrar.
(i)
... e teve uma noite de chuva que ele me ligou pra contar que estava sem guarda-chuva mas apaixonado por mim.
Gritou que somente apaixonados não ligam de tomar chuva.
Ligam só pro sentimento que os protege. Enquanto durar a ligação.

(ii)
Mais velocidade e olhos furando o azul na rapidez nunca vista do claro com cores da calma
Linda massa que me engole e ouço, além do som de sempre, um auê metalizado: gotas da chuva no teto

(iii)
Não sinto um pingo de saudades suas. Sério.
Poderia passar outros seis meses sem o zzz do seu blusão de nylon.
Saudade só do sol, do seco.
Em São Paulo só chove, essa cidade tão cinza, é o que dizem.
Pra mim só falta o sol. Queria de volta.
Saco.
Quando eu era menor era fatal. Dedo em forma de revólver e pá: um morto no chão.
Pá-pá-pá. E eram três.
Vida de soluções...
Mas as unhas cresceram e foi só pintá-las que, do revólver, nem fumaça sai mais.

24 de out. de 2007

Antes, as mulheres sempre de costas para mim. Desde que me entendo por gente.
Ajuda aqui? e era eu subindo zíperes das mulheres da minha vida. Mãe, irmã, namorada, minha primeira mulher.
Usado, ser-dedo-de-pinça que era deixado pra trás das costas fechadas que saiam andando assim que eu terminava. Agradecimento da boca pra frente, quase sem voz, sem som.
...
Mas quando eu conheci a Silvana, logo de cara, vi que daria certo. Ela gosta é de fechos laterais. E enquanto eu desço o seu zíper, eu vou olhando praqueles olhos e vejo os olhos daquela mulher na minha vida.

6 de out. de 2007

(.experiência de um eterno silêncio oco.)
Ouço ao longe a natureza de pássaros e latidos e ouço um gato caminhar sobre as pedras da rua de cima.
Perto, sinto tremer o motor e louças batendo, por mãos inexperientes.
Respiro e ouço, agora muito perto, o ar só saindo de mim pra depois voltar. E lembro da água que me envolve por vezes e em como ar, que já foi meu, dança pleno pra sair dali.
O barulho desse momento d´água é o som do oco onde tudo é ao longe. Mesmo que dentro.

E penso em como deve ter sido para ela deixar de ouvir a vida ao longe, deixar o ar sair por ir, sem volta, sem mais carros ao longe ou espumas no prato.
pirata me cativa e sabe com boca de coração e peito de aço que derruba extintores com seus ombros durão recém-saído do western em sendo do velho leste caminho seu tem suave passo intenso de paina
O jornal se acumulando sob a escada: ausência tua
.
Hoje, quando cheguei em casa, chave na porta, e não mais as duas voltas na tranca.
No vazio, resta uma. Minha única, só, ela.
Lembrei com sal da mania que me incomodava tanto.
E hoje, senti falta da tua volta.
pé útil e o seu ainda mais. foi por eles que eu atravessei o quintal quando choveu. e por eles eu cheguei do outro lado com meias secas.
por pés assim aprendem-se as danças diversas as valsas as salsas avulsas.
e eu dançando com sorte por pés quentes, nuvens de flanelas pisadas.
não tropeço só porque me pede.
Cigano pegou a guitarra que era sua. Cigarra pousada nos cabelos de Esmeralda
Ela tem uma juba que bate na cintura mas a moça só assopra: enfermeira sã.
Se toca por não querer ser mais guitarra. Sem dor. Acende um óbvio cigarro para o terminal.
Seu trem, só às 21.

Cigana é (,) rainha no departamento.
Iracema era uma pequena ela, muito miúda de tudo, com sorriso largo só.
Que batia o pé a todo contudo. Intolerância congênita às adversidades foi o que disse o doutor.
Mas era a minha companheira, irascível era ela ao me defender com seus dentes claros e unhas pintadas de escuro porque eu pedia. Depois era Iracema passando-as pelas minhas costas, forte e fraco, dependendo do momento em que estava, de ser ira, de ser minha amélia: doce de América nos lábios do meu amor.

... e dizem que quando eu passei pelo batente da casa, nem raiva sobrou. Decretou-se estado de coma em Manaus. Aí chorou. E foi só depois de sofrer por uma semana que Iracema, da janela, acenou pra dor.

24 de ago. de 2007

(Sem nome ou Receita dos porquês)

Um dia por vez, bate bem, ´pois, carinha.
Teoriza por qualquer coisa e eu te querendo tereza pra fugir do lugar comum.
Corta o que diz ao meio antes de discursar
Quer ser grande, parece, complexo de Alexandre (o outro, que sabe bem), mas pra ele, complexo de belê é o que sai, porque é bom entendedor.
Contrapõe-se entre coisas que não imagina e tem uma coragem que eu fico besta.
Gosto do jeito dele ver a vida, um tabuleiro de xadrez com rios no meio.
Quer me levar pra passear a todo custo e gosto disso nele.
E do que não gosto eu também gosto. Do ombro arranhado...
Ficaria com ele até depois, até dar arrependimento. Porque a gente conversa e o som dele me pasma e admiro o jeito como ele conduz as coisas todas.

Hoje, mandou beijos, três, e quis bater na Paulista, pra me ver. Veja só.

Gosto dele se sentar na minha frente mas também quero-o mais perto. Às vezes.
Pra ouvir, como ele ouve todo mundo, com dois ouvidos e um corpo forte de quem existe.

Todos os dias eu acordo e renovo a vontade de saber mais.
Dele.

O frio congela as mãos mas mesmo assim ele não pára e resignifica tudo o tempo todo. Acima de tudo, ele significa muito pra mim. E ele tem sempre razão:
que bom que a gente existe.
como chuva faz bem, umedece o ar que vem de fora de ar molhado
é menos quente, é verdade, mas o brilho no nariz da gata melhora tudo

ouviu de colocar água no quarto porque a secura não agüenta
bonito, surreal e plástico
lembrou bênção de copo d´água pela tevê

(mas gostou mesmo foi dele no seu quarto:
umodificador de tudo, como brilho no nariz da gata)
.
Coração queria ouvir a voz perguntando: por que muda tanto?
Só de ouvir o se não, se ui, tenho medo que me pélo.

..
Um ventilador laranja que levou tudo pra lá. Veria varandas rajadas vermelhas
Ora amarelas: te prego
E rezo na língua que for desde que não mie e viva nos sas rosas
Um jardim delas, seu rosso

...
Ressaí com acento grave.
É um assunto um tanto quando heavy sem pesar mas eu bem tive que tripartir e ir pro sul
Procurar um frio de linha pra seguir: a meada sem semente
E me jura que diz a vero como má cristã que é: varrido de pedra coloca-se de castigo sob o tapete
Pego no seu e não largo

....
Já os cabelos que lhe batem na cintura deixaram umas marcas sinistras pois foi se meter a fazer as coisas direito pela prima de três vezes.
:
À vista é sempre melhor ter as patas fincadas na terra
(embora elas sempre prefiram a água)

.....
Deu-nos arrivederci:
Bonito mesmo é ver o rio descer.
O moreno claro tem o mais doce tocar de flauta
doce
Sopra aos montes...
...pólen vem.
(a)
e eu gosto tanto de gostar desse modo...
maneiro ele. que responde as perguntas dizendo um pouco de ci de vo cê.
um touro.
mas equilibrado. é isso o que ele é.
...emoções vão pra pele, sentimentos em cima do muro

(b)
se o passar do tempo disser, eu respondo
cuidado e carinho
que bom que o sentimento é meu.

tenho uma caldeira: duas
sente-se.
dividindo o fogo e o gelo

(c)
E foi aqui que a princesa sorriu, com anões ao seu redor, deleitou-se por ter sentido. Senti-lo foi como renascer e viver de novo mais uma vez mais

(d)
e, pensando naqueles olhos estranhos, formou-se um farol.
i.
rio do vale é um rio que corta uma cidade em outro lugar
é verde e caldaloso com ele e com u também, porque rio do vale é diferente de tudo, e tem rabo
por onde passa o rio, o vale o acompanha
e é linda a relação que existe entre o rio, o vale. e entre os letras na gramática.
o eme, o bê.
(mas isso é outra história para outro dia)

ii.
porque quando a ciranda dos tempos rodou, foi aí que eu bati a cabeça
(como é bom ficar de fora disso)
e numa profusão de cores, caldas e palavras gritadas em azul, uma vez mais se fez a trindade. de sempre.

iii.
algo só é válido se vem em três, por um.
(é o que dizem. mas ele nunca foi muito de acreditar nos outros não)

iv.
olhavam, nascia um pleno animal, em pelotas, no rio grande do sul
as bolinhas se juntaram e, de ser amorfo, tornou-se ator de filme western.
Leva passe vá
Foi por passos levados que fui
O que vejo entre ripas de pinho é o que?
Sem resposta, bate à porta
Quem?
Faz tempo que passou o trem carregado dessa que me abandonou e eu, assim mesmo, pedi pra carregar as malas, para dar o futuro
Seu sim
Era eu de boné verde escuro, catando no fundo moedas pra dar
Dinheiro de mim

.
Me poupe.
os pêlos são lindos são muitos são seus
por todos os lados são loiros caídos no chão
da casa, pelo azulejo também claro, levado pela água
por água
abaixo
pelo ralo
saudade passada dos pêlos pelos quais enlouqueci
passados por cima dele

.
um dia depois encontrei um no bolso do jeans:
ri pelo dono do pêlo como hoje ele chora por mim.

8 de jun. de 2007

Folha, caneta, e um lápis pros dias sem certeza.
Gata, a cama e a luz naquele metro quadrado que é, na verdade, uma terra de pólos achatados.
quero poder te cobrir te des cobrir se despi lo me por eucaliptos verdes como aí e qui
economizo parole que nem vem jo mais man dando te bei jos de mais
separo palavras como me convém
alimento me do teu revés de bem de mar cristais de de sal
não vens mais
ciao
(Um)
A roupa no varal e sente pena dela. Um vento...
Depois, do seu lado do vidro, mas ainda olhando pra fora pensa melhor. Pena nada.
Pra ela, férias no balanço. O frio não chega porque linha não é pele.
E além de ser plástico, prático, um quadro, sem muros, é pano dançante sem esquadros.
Então ele abriu a janela, deitou ao sol e dançou ao rei.

(Dois)
A roupa ri e para ao ver olhos por entre vidros, dois.
É janela e são óculos, num sábado lindo de ventar e ele ali tão s ó l i t e r á r i d o . . .
Sempre sabendo, mas por olhos cobertos e mãos quentes, como todo ele é. Cobre-o por todas as partes, sabe-o.
E nada se compara ao frio que hoje traz férias.
Depois, quase cansada de tanto badalo, refletiu no vidro que ao abrir mostrou o homem, jogado na grama, com olhos pro céu.
Entrou pra dentro e não sai mais e não tem porque gritar pra sair pra fora.
Assim, espera que só suba pra cima e mais. Nesse ânimo bom que anima a já animada em pensar que somente há horas atrás começou. E não findará rá rá.
Apraz.
Mas à vista nua, sem guerrear, qualquer um tem o sossego em forma de vogal última nos lábio que ficam nas costas das mãos, que enlaça, como elo de ligação entre o si e o sigo mesmo em pleno pleonasmo de nariz alheio ao umbigo seu,
que mete se lhe nos vos com o novo.

27 de mai. de 2007

Tinha espetado o dedo na agulha, viu o vermelho e correu, de dedo branco, colorido, ferro prata, dói. Nota-se um tom de dó e sente ponta de dú vida: se um banco, uma caixa, um parque corre ria tanto lá... Passou por si e eram sustenidos. Som fino de batom no canto da boca melanco lia, ouve o ritmo
Os olhos seriam cores demais
Sob a lâmpada relampeja a cor da camisa. Veste clarice em força de meiguidão numa superfície de renda, tremenda, faz som com o brilhante que custa nada.
Percussora, barulho errado das duas que têm em só: relicadeza de ir que vem (leu, escondida, sobre cabelos nas mãos. Cabelos dados, seus serão?)
Grafita ao lado, pela beira, na borda do azul

(...)
E foi assim que ele se sentiu quando olhou pra cima e viu que o teto estava pintado de branco, mas a parede era verde, um verde tão seu,
uma cor da qual nunca foi fã

(...)
E a rainha tinha era pele escura, olhos escuros e nome azul,
pêlos claros e, pelas tabelas, princesinha chorou.

25 de mai. de 2007

desenvolvido um tema, roberta refaz-se em mil cortinas de gesso, entre molduras imperfeitas de cal e ela chama, quem lhe faz e refaz de dia, de noite.
herda a vida que não foge mais mas vai, sai, filha que o pai chora a saudade
refaz – roberta não. faz novo.
descoberta, acoberta as causas pelas quais tirita sob cobertas: sente frio de gente e só no quadro ado sente-se quadro refeito perfeito, escumadeirando-se sobre cavaletes de pinho renato
sorri ela e se desculpa pela falta de punho, de tato, por ter dado sua vida tão assim, de fato, pr´alguém despreparado como ela
por procuração achou, devia ser assim, cuidar-se de si, levar-se a brasília, entender-se. apraza-se. mora?
as ciganas de antes, bichos travestidos. com sono, um estado amarrado com fios de nylon dourado. entre os dentes.
A calma bate nele como bate a pedra na água do mar. Sem furo: é doce pensar que não é a onda que age. E sais são inícios de luzes no fim desse poço que parecia infindável, onde a água dá pra ser bebida.
Então ele a bota no peito, no canto da querida, assim passado assim passada assim potável.
O céu, azul garrafa, ela nela e ele nele. Querendo saber o que quer além de ver olhar enxergar de ouvir e escutar o barulho do mar. Água que anda e que cai em si ali. E pra frente, tudo possível, engolindo transeuntes em pó liquefeitos sucos de gente henrique sendo com sal, mineiro de fontes gerais.

4 de mai. de 2007

diz do tempo e diz que passou
disse da mentira e diz do que há (sem dizer)
eu digo eu falo e eu sinto
me
sozinha no meio de tudo de mim eu sinto muito

pelo despreparo dos seus olhos claros

e odeio em forma de gente em forma de pelo em pela amorfa pintada com pintas marrons
nao gosto pra que esse sim saia de mim pra sempre
e que isso dure
eternamente

pra nós, um punhado de vidro quebrado.
é isso que é.
que não volta a ser areia,
que não volta a enfeitar

mas dói quando se pisa

22 de abr. de 2007

A diferença de tempo entre as gotas é de meio segundo
É um ritmo tão lento para o verão
Mas nem todos vêem
Digo do amanhã, chuvoso ainda, mas com jeitão simples:
Viúva alegre depois do sol do fim de tarde

Entre os milésimos, um raio de sol.

Para cada baque surdo no chão, um facho de luz dasassossegado registra cidades internas e iguais no estado em que estou.
Ritmo de barco sobre a água amarronzada de vermelho, do batom que nunca passei, na rua que nunca nadei.
Eram colchões de pura esperança na estrada, verde mata pelos cantos.
Pensa em balão de gás seguros por barbantes

E a vida é o exato bloco de terra deslocado no ar. O lapso concreto entre a queda de contas de água. É o real casar da viúva inexistente de dia.

Viver é contarolar cantarolar controlar uma luz do sossego que via em outro.
Pasmaceira congela ar riba
Cai não, balão.
Fica.
Um amor de gato
.
Ver viver, agir, so rr ir
é de se admirar
Amor felino que apraz por te ter respirante ao lado, aos pés
Por me enrolar em e sobre, com coluna mole, em barulh ar
Novelo de duas gentes com pontas brilhantes de lã, são santos/profetas da meada inteira.
Permeia e compartilha vida recém-existida mas querida.
.
registro-te de pêlos por ti por tudo
risoto de dois pingos de luz, de dois, de gatos. pingados
na média dor normal indolor com topete de quem nada deve, além da vida de devota
tua sem tatoo ou tato
soul comuna, comum ao sol, não apretejo, branco a difícil
banco, mas não sustento, não aos olhos blues, soou sua suo fácil, soul frível
vou pra lá pra querer parecer contigo apa. show me me
tira-me da cartola abra me dá gaiola
cantando, canário rei de mágico de mim
dá condão pra vestir meu manto de céu
quero te mais nu

9 de abr. de 2007

(i)
Eu sempre escrevi deus com a letra mínima
...até que Você me ensinou a sua importância, naquela noite de festa.


(ii)
Vê o espaço em branco, completa.
É contínuo, não pode parar. Não com mulher grávida dele.
Faz mais de semana que tenta se cuidar e ir ao médico na hora do almoço mas o tempo não permite e, com o dilúvio que tá, chove no norte e ele, órfão, depende é do humor do patrão.
Depois das três o trânsito pára. E nem ele, primo distante de um que até Moisés chama desanda a abrir brecha entre cores e ferros.
Parado, é aí que lembra dela sem roupa, antes. Pensa na criança e em como vai ser nessa época moderna.
...
Continua
não pode parar.

(iii)
Ele é viciado em viver e vive à larga. A rromba. A porta. E entra.
(na mente)

(iv)
É dia naquela estação e a quenturinha vinha de sovaco de passarinho parado no muro. Asas paradas. Sem mosca.
Um pardal doador de sangria.
Caiu a gota, cai a gota, caia gotin´, plim, sentindo espanhol entre samba, de tarde, de clara castanha, e olas, só pra asso pará r

(v)
Faz um tempo que desistiu de dar Gabriela para a menina.
Sente o peso dos erros que cometeu.
Quer que a menina seja feita de luto. E fogo.
De uma receita brusca nascerá o filho, foi o que ouviu dizer.
Porque tudo o que sabe foi assim, de ouvir dizer.
Como o pai da neném, pois foi o primo com nome antigo de gente importante que os mostrou, um pro outro.
A mãe, nesse fim de prenhice, não quer pensar, mas sabe que não magica. Medica sim, com base em achismos que encontra no meio da calçada, que ouve, incompleta, aos poucos. No meio dessa vida entre aspas e parentes inúteis.
Coitada de pai e mãe. Às vezes pensa que melhor se fosse como ele, sem nenhum dos dois. Mas também sem dor, sem lembrar, sem cheiros.
Só depois que se sentiu melhor foi que pegou um papel usado, virou-o e escreveu no avesso a lista do que precisava. Coisas práticas, coisas práticas. Tirou as aspas e desvirou também a foto da família que deixou.
Pensa que se basta.
Decidiu, chamará Renata. Que se basta sempre que pode, reforça.
Cresça, nasça, assim. Morra. Não rime.
Na cozinha, deixou-a respirar. Deseja a idade.
Tenra é a massa sua, feijão fradinho, branco, de flácida pele de rio. tão.

(vi)
Fios caindo do teto
Filhos.
Que a vida comece assim que o sol se puser

29 de mar. de 2007

(a)
No fundo todos nós somos sós infernais, infelizmente. Pequenos piscares apagando-se diariamente no fim dos anos. Luz.

Bilhões de anos valem um lusco-fusco de estrela.

(a´)
O som que sai da boca do homem, não entendo. Estranha é a língua e eu estranho o que diz nesse dizer sem doer, o que não é comum.
Todos de peles pintadas e claras e olhos igualmente pintados por quem os fez. Mulheres com luzes em cima e sexos apartados embaixo.
Musicados poemas milenares e eu. Olhos escuros e molhados duvidando da maldade.

Meninazinhas se rindo entre si, apontam para a simplicidade de ser.
(mãos ao lado)
Têm razão e me rio de viver me rindo de ser simples por rir de mim.

(a´´)
Os pés dele, no silêncio, mexiam nas pedras e, elas, acolhiam-no pelo barulho de pés em pedra.
O que vem por dentro é suave, mole como água. Morde e fura.
Olhando para frente, o horizonte é feito de vapor, com o som do caminho velho.

Há ´inda um resto de fim de dia. Um sentido de vida. Recém-nascida.

(a´´´)
Raivaidade
Imaturidade
Muda impostor
A dor que sente entre músculos de sentir
.mim.núsculo.
Sua dor não
é compota

mas não cabe em si

28 de mar. de 2007

-a-
Cheguei. Ensinou a ser azulada entre o jardim de flores amarelas.
Conheço-te tanto, há tempos.
Foi.
O ar sente o som da risada alta, como (h)eras
A falta é o que restou da ida – repente
Um galho fraco, bipartido, língua ferina

Eles perdem mas ganham: espaço
Para serem sós
Estréia da vida sem ti muito nós.

-b-
Um dia lindo, mas sem o sal que se precisa.
Vida de pressão baixa. Falta a dose.
Glicose.
Que coisa.
A mente sempre engana ... dúvidas normais de quando a paz bate.
(1)
Hoje amanhã seu um dia lindo
Mais tarde a noite nossa.
(No churrascO)
Desses azulejos sinto a sábia se mexer entre as folhas. Leio um livro infinito que conta de todas as vidas.
Mal passado?
Prefiro um bom futuro.

21 de jan. de 2007

(.)
Quem sinto, sinto como se de ouro fosse, acaso de ouro gostasse
Sinto confusa esses tempos. Perde-se sem previsão, assim
(..)
A vontade de vestir que te fez correr
Despertou o despreparo para o que nem sequer sabia que teria que saber
A novidade de frente, fria, atacante, brilhou
Os anos em segundos, dali, pra frente, sóis sem o chão
Novo solo, só.
(...)
O homem que desconheço é feito de nojo
O homem que desconheço é frio e fede. A mulher também. Que não conheço.
Porque o homem e a mulher que eu conheço são feitos de cheiro, voz, riso.
O meu homem é mão e pé de dedos curtos, timbre suave.
A minha mulher é foto dando adeus, perfume no travesseiro, saudade bruta
Entre as pessoas que eu conheço e mim há uma massa de pão sonoro, invisível, tocado. Que me faz pensar e quere-las por dentro da vida.
Cigarras falam e eu lembro dela
Doces na mesa, eu lembro dele
Barco, é dela.
Reinados são dela.
E a grama cresce abandonada
Chamam-na mato quando é assim desordenada
Seria eu chamada mato, não fosse gente
Sou a Brasília de cidades-satélites-voantes
Um dia, a ordem dos condomínios de casas grandes tenta me pegar. Mas não sou dominada assim, a ponto de só receber sol com sobrenome
A mim basta o cochilo do velho vigia da lua, que me vela
E os jardins, quero-os também de mato, mas mato de vida, aparado pelo guarda da minha noite rosa
Cinto apertado Sinto-o atado Vejo da janela do lado Coitado
Boca no couro, divide Saliva no chão, ascende
É assim que vai
Sem barco, andará um dia e uma noite Depois, afrouxa o peito e descansa.
Somente então.
O couro no lombo, o corpo no sol.
Dói as costas, as pernas: união
Se é só, reparte Torna dois Superior Inferior
Ritmo respirado, couro no vento
Partes
só, no carro, não tenho medo não. e, se tenho, quando sinto, canto, canto alto e forte, ou baixo e fraco. canto para que o medo vá com o ar quente que sai da temerosa mim. comportamento, por vezes, temerário. mas é a inconseqüência que rompe o tecido da jugular. mentira.
sempre fui caxias. mesmo morando na capital
Quando abre a porta, o dia começa assim
Àquela hora, sendo aquela a hora que for
Ainda que noite
Começa
A madeira levanta, mecânica e mágica
O sorriso que eu esperava a me esperar e que me bem-recebe entre fios dourados - refresco
Saudade da secura natal, mas acostumo com a sua umidade
Ela não importa quando se sabe o que é o certo e conhecer foi assim
Nós sobre nós, uns.
Revezaremos a vida até que nos chegue a morte
E tu: vive rio.
E a areia ao ser esfregada sofre e lamenta dizendo i
Se me esfrega numa noite úmida assim digo a
E ó para você comigo
Mas Sara vai, c´est la vie é assim
Vaiando a tua decisão, sigo os passos: tira-me de letra