meu pombinho
te quero branco,
pálido,
translúcido.
olhos vidrados em mim,
língua de fora,
ramo de oliveira no bico.
te quero vivo além
morto na terra.
(qual?)
se tudo é água, dor e um pouco de sal
não preciso de pás.
aqui somos dois - pombinhos sobre o bolo-barco
únicos no mundo
compromissados
unidos
até que eu te mancho
e te jogo na salobra
sem chão, você baixa
a maré, alta
quantos dias até voltar, cheio de si/ar?
depende.
eu não.
nada
pombo sem paz.
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