tenho uma vergonha de te ouvir falar, de te ler
penso que você já tem meio século de vida
mas pra você, aparentemente, isso não faz nenhuma diferença
eu morro de vergonha das coisas que você escreve e da maneira que você escreve
porque tudo é tão, tão raso e você age como quem pensa que aquilo é tão, tão profundo.
dizem que é horrível sentir pena.
mas acho que é isso o que sinto.
porque tem ternura, tem reconhecimento de um esforço, tem. mas tem também meu bom senso e a sua falta de autocritica.
você escreve coisas que qualquer um escreveria. um pré-adolescente.
acontece que você tem 50.
e eu, dó.
o único mérito, que eu vejo, é que - mesmo seus escritos tendo podido ser escritos por qualquer um - foi você.
e eu gosto da arte e admiro o trabalho de produção.
(eu disse arte, não produto)
sinto muito.
oro a deus (sou agnostica) para que você nunca publique o tal livro sobre “nós”.
juro que ja fui retratada belamente em outras artes, musicas principalmente, e não gostaria de me ver vinculada a um produto.
e o auê ao redor do que você escreve?!… ai, aperta o coração imaginar a sua ilusão de sucesso.
são as mentiras que você se conta.
é sabido que existe uma pequena engrenagem em torno dessas publicações compradas: “autores” e influenciadores que se divulgam, grupos de ajuda, feiras, seguidores que chegam por anúncio. nada é segredo.
mas ao contar você trata tudo como a consequência “natural” do seu sucesso estrondoso.
easy, argentino.
eu nem li, nem lerei, e não preciso. porque acho que não conseguiria passar da primeira página. o que já li sobre ele já me constrange o suficiente.
derrete meu coração pensar que o potencial que eu vi um dia, nem ele estava lá.
nem nos meus menores sonhos pra você, eu teria tanta vergonha por você.
…
ufa.
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