12 de jan. de 2026

12/01/2026

 

Busquei no lodo o que eu não via.

Os olhos cheio de lama, imaginavam flores cor de rosa

Mas não tinha nada ali

Era tudo marrom

Pegajoso

Morno

 

A lama ao meio-dia exala putrefação

 

Os caranguejos se escondem por entre as raízes mas seus rastros esburacados os denunciam.

 

Foi assim com o nós.

 

O vazio anunciando presença da morte morna.

E uma cheia de lama vendo flores inexistentes na banheira que inundava os tacos de madeira de Anchorena y Juncal. Sozinha.

 

No banho harmonizava uma canção que nunca seria.

Mas na cabeça sempre seria.

Cri no valente que o covarde esbravejava.

 

Valete. O que tem ímpeto mas não sustenta. Marselha.

 

(Imagina se matar um cachorro em cima de seu dono é coisa de gente brava. Pensava sim.

E os os sinais ignorados.)

 

HOMBRE, todo em mayuscula, autodenominava-se

Mas o tanto diminuto que era, que nunca conseguiu sustentar uma simples decisão.

 

Rey. Adonde? Jamás.

 

Até o fim, se crê protagonista.

Entende que deixou ir o amor e não que foi deixado.

E, pior, entende que deixar ir é amor.

Não sabe nada. Muito menos que amor requer mais que sentir.

Pensa que sabe tudo.

O pior tipo de ignorante que há.

 

(Minha tia materna sempre disse que “a ignorância é atrevida”. E entendi na pele isso, por ter aplaudido esse atrevimento, mesmo sabendo que inexistia sabedoria ali.)

 

Imperfeições? Optava por ignorá-las.

 

Quanto ganhei? Muito.

Quanto perdi? Creio que pouco.

 

Ao perder muito, ganhei tanto mais. E ganhei o perene.

 

O véu se desfez diante de mim diante do inexorável.

 

Te vi ruir, Juan.

E foi triste de ver.

Porque ao te ver ruir, me ruí também.

Ruiu quem cria em tanta coisa. A mim mesma neném. Filha.

Ruiste, rui-me nena.

 

E nascer e crescer é difícil. Foi solitário. Fui sozinha de novo. Agora consciente. Não mais uma companhia imaginada.

E acho que é assim que se nasce.

 

Celebram todos, mas nasce-se só.

 

Dizem que morrer é solitário também. Mas ao negar-te, neguei também meu futuro destino de morrer assim.

Não aceito mais ser só, estando.

 

Felicidades.

 

Ruinas não me interessam mais.

Vida, natureza, o novo. Sim.

 

Te confesso que não te li direito.

Porque não gosto de ler egos.

10 de jan. de 2026

 

Enviei laudas para você mas era para mim.

Estar a dois para mim sempre foi sobre mim.

Que tristeza.

Me dói a lombar.

 

E sua resposta foi tudo sobre você.

 

Sinto vergonha alheia.

Vontade de dizer “paraaa, ta todo mundo vendo, você ta se expondo e é um mico o que mostra. É um ego hiper inflado que pensa que o meu sentir por você tem a ver com quem você é, e não com quem eu sou”

 

Dai fico com dó. Até de mim mesma. Porque eu me lembro quando eu agia quase igual.

Eu, de verdade, pensava que o mundo era sobre mim.

(não que não seja, o meu interno sim, é sobre mim)

Mas a partir do momento que eu vi um mundo extra-mim, a Terra, cantada por Caetano Veloso, vi que para se relacionar era entender que eu era so mais uma e que cada um tinha também seu mundo interno e uff que pesado.

 

Confesso que foi difícil me tirar do centrinho.

 

(Falando em centrinho me lembrei das cidadezinhas de praia que no verão fazem com que depois da praia todos tenham que ir banhadinhos ao centrinho, comprara anéis de coco, pulseiras de concha.

Lembro da itanhaem da minha infância e o perfume no ar do centrinho: misto de neutrox com giovanna baby.)

 

(pois sim, acho que a gente so consegue deixar de se por como o centro do universo quando tivemos um lastro de ser o centro do universo de alguém – no caso, dos pais.

Como eu nunca fui centro de universo de ninguém, acho que tive que aprender na marra a largar o exoesqueleto-fake de me sentir o centro do universo. Não era me achismo, era PAÚRA.

Quando a gente se torna a mae e o pai de si mesmo, acho que podemos deixar o exoesqueleto pra la, e a vida relacional começa de verdade)

 

(foi tarde? Creio que sim. MAAAS, antes tarde do que mais tarde. E o que são 40 e poucos anos perto dos 200 que pretendo viver? Respondo: nada.)

 

Minha dor na lombar passou.

E o ar ao meu redor exala um perfume de mulher.

 

Chegou 26, eu com um chato, na cachoeira, “show”.

Oxalá ele não leia isso.

Vai descobrir o chato que é.

 

Chato nível fazer tudo por mim.

Chato nível tratar-me como uma reina.

 

Assim.

Absurdo.

 

O tipo de chato que eu tenho que engolir agora.

07/12/2025

As divas pop tem eras

Os pintores top tem fases

E poptop

A era-fase se terminou

A fase foda já era

Foi

Não é mais.

 

Hoje me protejo na consciência de saber que nada vale mais do que o tempo.

O tempo que se espera

E o tempo que se ganha ao não perder tempo

Ganha tempo

Ganha pão

Perde tempo

Amassa pão

Eras fase, diabo.

 

Não mais. 


...


Tic tac

O tempo vrum

Top-pop

O tempo vrau

Entre vrum e vrau combinei de te encontrar no vão do masp.

Mas você não apareceu.

Chau.

 

Como que se baila com um conceito?

Como que se flerta com um jeito?

 

O romântico vinha e eu corria, sem dançar

Ou ria só. Sem co.

Achava besta.

 

Hoje insisto. E noto que um bailar começa.

1-2-3

1-2-3

Passo-desliza-passo

Passo-desliza-passo

 

Parece romântico bailar un vals

Mas será?

Porque é um concordar que não concordam. Como se dissessem “eu me aproximo e você recua, combinado?”

“Vamos combinar de descombinar?” “CLARO!”

 

1-2-3

1-2-3

Hoje a besta sou eu.

A fera.

La bella.