10 de jan. de 2026

 

Enviei laudas para você mas era para mim.

Estar a dois para mim sempre foi sobre mim.

Que tristeza.

Me dói a lombar.

 

E sua resposta foi tudo sobre você.

 

Sinto vergonha alheia.

Vontade de dizer “paraaa, ta todo mundo vendo, você ta se expondo e é um mico o que mostra. É um ego hiper inflado que pensa que o meu sentir por você tem a ver com quem você é, e não com quem eu sou”

 

Dai fico com dó. Até de mim mesma. Porque eu me lembro quando eu agia quase igual.

Eu, de verdade, pensava que o mundo era sobre mim.

(não que não seja, o meu interno sim, é sobre mim)

Mas a partir do momento que eu vi um mundo extra-mim, a Terra, cantada por Caetano Veloso, vi que para se relacionar era entender que eu era so mais uma e que cada um tinha também seu mundo interno e uff que pesado.

 

Confesso que foi difícil me tirar do centrinho.

 

(Falando em centrinho me lembrei das cidadezinhas de praia que no verão fazem com que depois da praia todos tenham que ir banhadinhos ao centrinho, comprara anéis de coco, pulseiras de concha.

Lembro da itanhaem da minha infância e o perfume no ar do centrinho: misto de neutrox com giovanna baby.)

 

(pois sim, acho que a gente so consegue deixar de se por como o centro do universo quando tivemos um lastro de ser o centro do universo de alguém – no caso, dos pais.

Como eu nunca fui centro de universo de ninguém, acho que tive que aprender na marra a largar o exoesqueleto-fake de me sentir o centro do universo. Não era me achismo, era PAÚRA.

Quando a gente se torna a mae e o pai de si mesmo, acho que podemos deixar o exoesqueleto pra la, e a vida relacional começa de verdade)

 

(foi tarde? Creio que sim. MAAAS, antes tarde do que mais tarde. E o que são 40 e poucos anos perto dos 200 que pretendo viver? Respondo: nada.)

 

Minha dor na lombar passou.

E o ar ao meu redor exala um perfume de mulher.

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