Enviei laudas para você mas era para mim.
Estar a dois para mim sempre foi sobre mim.
Que tristeza.
Me dói a lombar.
E sua resposta foi tudo sobre você.
Sinto vergonha alheia.
Vontade de dizer “paraaa, ta todo mundo vendo, você ta se
expondo e é um mico o que mostra. É um ego hiper inflado que pensa que o meu sentir
por você tem a ver com quem você é, e não com quem eu sou”
Dai fico com dó. Até de mim mesma. Porque eu me lembro
quando eu agia quase igual.
Eu, de verdade, pensava que o mundo era sobre mim.
(não que não seja, o meu interno sim, é sobre mim)
Mas a partir do momento que eu vi um mundo extra-mim, a Terra,
cantada por Caetano Veloso, vi que para se relacionar era entender que eu era
so mais uma e que cada um tinha também seu mundo interno e uff que pesado.
Confesso que foi difícil me tirar do centrinho.
(Falando em centrinho me lembrei das cidadezinhas de praia
que no verão fazem com que depois da praia todos tenham que ir banhadinhos ao
centrinho, comprara anéis de coco, pulseiras de concha.
Lembro da itanhaem da minha infância e o perfume no ar do
centrinho: misto de neutrox com giovanna baby.)
(pois sim, acho que a gente so consegue deixar de se por
como o centro do universo quando tivemos um lastro de ser o centro do universo
de alguém – no caso, dos pais.
Como eu nunca fui centro de universo de ninguém, acho que
tive que aprender na marra a largar o exoesqueleto-fake de me sentir o centro
do universo. Não era me achismo, era PAÚRA.
Quando a gente se torna a mae e o pai de si mesmo, acho que
podemos deixar o exoesqueleto pra la, e a vida relacional começa de verdade)
(foi tarde? Creio que sim. MAAAS, antes tarde do que mais
tarde. E o que são 40 e poucos anos perto dos 200 que pretendo viver? Respondo:
nada.)
Minha dor na lombar passou.
E o ar ao meu redor exala um perfume de mulher.
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