Busquei no lodo o que eu não via.
Os olhos cheio de lama, imaginavam flores cor de rosa
Mas não tinha nada ali
Era tudo marrom
Pegajoso
Morno
A lama ao meio-dia exala putrefação
Os caranguejos se escondem por entre as raízes mas seus
rastros esburacados os denunciam.
Foi assim com o nós.
O vazio anunciando presença da morte morna.
E uma cheia de lama vendo flores inexistentes na banheira que
inundava os tacos de madeira de Anchorena y Juncal. Sozinha.
No banho harmonizava uma canção que nunca seria.
Mas na cabeça sempre seria.
Cri no valente que o covarde esbravejava.
Valete. O que tem ímpeto mas não sustenta. Marselha.
(Imagina se matar um cachorro em cima de seu dono é coisa de
gente brava. Pensava sim.
E os os sinais ignorados.)
HOMBRE, todo em mayuscula, autodenominava-se
Mas o tanto diminuto que era, que nunca conseguiu sustentar
uma simples decisão.
Rey. Adonde? Jamás.
Até o fim, se crê protagonista.
Entende que deixou ir o amor e não que foi deixado.
E, pior, entende que deixar ir é amor.
Não sabe nada. Muito menos que amor requer mais que sentir.
Pensa que sabe tudo.
O pior tipo de ignorante que há.
(Minha tia materna sempre disse que “a ignorância é atrevida”.
E entendi na pele isso, por ter aplaudido esse atrevimento, mesmo sabendo que
inexistia sabedoria ali.)
Imperfeições? Optava por ignorá-las.
Quanto ganhei? Muito.
Quanto perdi? Creio que pouco.
Ao perder muito, ganhei tanto mais. E ganhei o perene.
O véu se desfez diante de mim diante do inexorável.
Te vi ruir, Juan.
E foi triste de ver.
Porque ao te ver ruir, me ruí também.
Ruiu quem cria em tanta coisa. A mim mesma neném. Filha.
Ruiste, rui-me nena.
E nascer e crescer é difícil. Foi solitário. Fui sozinha de
novo. Agora consciente. Não mais uma companhia imaginada.
E acho que é assim que se nasce.
Celebram todos, mas nasce-se só.
Dizem que morrer é solitário também. Mas ao negar-te, neguei
também meu futuro destino de morrer assim.
Não aceito mais ser só, estando.
Felicidades.
Ruinas não me interessam mais.
Vida, natureza, o novo. Sim.
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