1 de out. de 2025

 01/10/2025

(a)

A promessa era de paz

Mas como dar aquilo que não se conhece

Conforme eu for sabendo de que se trata

Prometo ir entregando-a

Pode parecer qualquer nota, mas com esse histórico, te garanto, vale ouro.

 

(b)

O ouro que ele tinha nos dentes brilhava ao sol

Mas so se sorria

E ele sempre ria

E gargalhava

E o brilho ui me cegava

 

Cegou tanto que eu nem vi o esquema armado de jogo de espelhos e luzes

Era tanto brilho

Era tão lindo

 

Só fui saber depois de meses que ele já tinha partido

Era so eu e a ilusao

E nem dentes ele tinha

 

Sério.

Sem estudos, sem dentes, sem cérebro.

Só espelhos e luzes.

E um desejo de ver brilho ao sol.

 

01/10/2025

Hoje dei um fim em todos.

Foi vrau

Saí de foice

Não voltei a cabeça nem pra ver como ficou

Foi lindo

Sangue por todo lado

E nem uma gota era minha 

<3 :)

30 de set. de 2025

(i)

Os meninos gritam ao longe, futebol.

Sera que são meninos?

Que sim.

 

(ii)

Eu poderia ser um fantasma se quisesse?

Não.

Se nos matamos, não sei o que passa.

Mas se somos assassinados, aí sim.

Um baixa o outro sobe.

 

(iii)

O som do gelo, do gim, do gesto que me deixou de lembrança.

É bom lembrar dos dedos juntos, dobrados, movendo-se para cima. Significa ação.

 

Será que um dia me esqueço?

E de apertar o lábio de baixo com os dentes de cima?

Como quem diz pordios.

 

Eu fico indo e voltando.

Minha cabeça e meu coração.

Brasil, Argentina, Brasil, Argentina, Brasil.

 

(iv)

Os taxis sempre peleando. Os transeuntes ofendendo.

As caras carrancudas das mulheres.

As saias curtas das meninas.

Os homens chiques como nunca vi homens chiques.

 

A enormidade de lojas de roupas masculinas.

Homens com homens,

Mulheres com mulheres

A vaidade que não combina com a depressão.

A opressão que não combina com a liberdade.

Daqui da varanda eu vejo o colégio

E essa arquitetura que me mata

 

O belo e o feio parados de mãos dadas esperando um clique que jamais virá.

 

Vocês não combinam.

E nem o céu orna.

 

Daqui eu ouço também os ruídos todos.

A serra que corta o piso, o carro que passa, a moto, as crianças gritam eeee!, os bombeiros. E às 6h da manhã toca a gravação de um sino na Igreja da Saúde.

 

O sino fake é tão São Paulo...

28 de set. de 2025

 Meu coração era tripartido: o de antes, o do corpo, o da mente.

O de antes sempre lá, como pano do fundo. Podia até nem partir um coração que de tanto que foi, já se entendia menor.

O do corpo, que acalmava – mas só se presente. E quase nunca estava. Não de alma.

Já o de mente, tinha a (c)alma toda. E o desejo de fusão de tudo, eu, você, o rato.

 

Inesquecível pra mim. Até que esqueci. Deles.

Lembrei. De mim.

 

Foi sentir as micropartículas de coração se juntando.

Estilo homem-areia. Sandman. Happywoman.

E (me) uno.

(A)o meu coração.

 

A paz voltou a reinar.

 Te ver de perto foi a melhor coisa que me aconteceu.

 

Ver a perfeição da barba, das cores, da textura. Sua barba macia. A sua barba clara.

Te vi de bem perto. E seus pelos, que saem pela blusa, por cima dos olhos, orelhas, que você tira e eles voltam a subir.

São heras.

Quase 20 anos.

Eu não resisti e minha boca foi pra sua.

Mesmo minha boca-proibida. Te mordi. Queria te arrancar algo. Ter-te meu, ali.

 

No carro, sua mão esquerda me buscou atrás e me encontrou. Sempre. (E eu lá sei fazer diferente?)

E você a segurou. Como se não fosse me soltar nunca mais.

 

De novo eu cri. E você me soltou. 

Mas sem grilos dessa vez.

 Meu grande amor-não-amor:

Te propus amizade também.

Você me jogou no seu rol de amigos-não-amigos.

 

Bem pra mim, que ultimamente sou toda desejo recém-nascido-sincero de buscar relações sinceras...

 

Como consegui sobreviver tanto tempo achando que vivia?

Rodeada de amigos-não-amigos, familia-não-familia, relacionamentos-não-relacionamentos...

 

E meu trabalho, que era sincero, eu sabotei. Pra que se tornasse algo-não-algo também.

Pra ornar.

 

Mas voltei.

 

Estou me inteirando.

E digo não também para você.

 

Assim não.

Obrigada pelo possível do que foi.

 

(retorna pra mim a ideia do que poderia ter sido e não foi – que sempre foi minha mesmo ;)

Para mim. 


Se eu buscava pelo em ovo

Se analisava tudo usando el diário de lunes

Isso provavelmente era sintoma, não eu.

 

Te trouxe o novo

Você negou.

E eu te deixo.

 

Te deixei com os jornais velhos

Sem lágrimas nos olhos.

 

Caminho por onde nunca andei

Mais acompanhada do que sempre.

 

Afasto os corvos.

 

De onde estou é que vem a emoção que vejo.

15 de jun. de 2025

 

Dia 08 foi o meu aniversario.

E eu realizei um sonho. Estar com as baleias.

 

Eu inundei minhas retinas delas. Mães e filhas. De perto.

Seres que poderiam nos destruir com um movimento mas que são tão tão gentis ao se moverem, porque SABEM de seu poder.

 

Sim, eu quero ser baleia.

 

A onda magnética que sai do coração de uma baleia chega ate nos e nos atravessa, é a paz. É o poder de se saber grande, mas se conter. É tao bom estar ali.

Quero ser Jonas y/o Gepeto rs

 

Em argentino se ouve “baxena”.

 

Falar nisso, tem outros sons que eu gosto: Joya. Que se diz roxa.

 

E aqui, como no brasil, quando algo é bom, se diz “roxa” (coisa mais de senhores, como meu pai)

 

Meu pai dizia, JÓIA pra tudo. Quando alguém lhe perguntava como andava a vida. (naquela época ainda tinha acento) Mas será que era verdade? Não fosse teria morrido sem aire?

 

Eu lembro de você, do meu pai, os homens que me fizeram sofrer. Por escolha. Sabendo. Você, ainda mais do que meu pai.

Mas menos responsável, claro.

 

E foi com o fim de nós dois que eu notei como busco um final de diferente pra minha historia. Mas que nada.

Com personagens iguais, como poderia mudar o fim?

 

Joia.

  

Ontem eu chorei por você


Passei numa avenida que só passei 

Dentro do seu carro, no ar condicionado, com pressa

 

Você não gosta de andar a pé

Eu amo andar a pé

Ainda mais nessa cidade

 

Eu gosto de ar

E paz

Buena vida. Chau.