10 de abr de 2011

o amanhecer dos seus olhos me reflete a alegria de sentir
olhar pro lado e te ver com aquela cara que você faz quando alguém te pede alguma coisa
só que ela diferencia quando eu te explico o que eu quero
e você se anima
porque fazer as coisas pra mim e por mim, segundo o que você mesmo diz, é um prazer
ainda mais quando essa coisa que eu te peço é realmente prazer
eu peço a sua forma tão conhecida e burilada em anos de dia a dia
cosa nostra entende.
.
mas chega de falar, de sorrir e para de espirrar. querem te resignar. é o que dizem as pesquisas. que as mulheres acham que quem sorri o tempo todo é bobo, um bobo-alegre. o que é confuso porque um bobo-alegre poderia até ser bobo mas alegre deveria ser algo sempre bom de se ser. e os homens acham que rir demonstra felicidade e que se pudessem, se não fossem as suas mulheres-bobas, sorririam sempre.
e são homens e mulheres, mulheres e homens
bobas tristes e tristes alegres.
..
e eu já falei pra você não me vir mais com essa historinha de ser feliz hein
chega de querer seguir esse padrãozinho ridículo que a sociedade capitalista te impõe
porque nós, de esquerda, estamos sempre tendo que lutar contra isso que vocês, de direita, ficam querendo vender na revista.
não, eu não quero ir pra europa, não, eu não quero ir pra madri, nova iorque. me deixa aqui, to feliz, me larga.
eu quero é fazer um samba no meu quintal
e eu já te falei mais de mil vezes que não é pagode, é samba! é samba! sam-ba!
quanta falta de cultura, peloamordedeus.
...
sim, são os três pontinhos do infinito
três um dois
tem feijão, tem arroz, tem tristeza sem fim
são três
aí vem você, totalmente apoético, e diz:

não
.
.
(i)
escreve porque é possível. caso não fosse, sangraria
aqui, nessa vida, isso pode: sangrar
pois para isso basta que risquem a carne e jorra
esguicha-se vermelho, esvai-se o conteúdo, passa-se para o preto da cor da tinta
prefere assim: se/r possível.
(ii)
a previsão de ontem dizia que leão ruge, que o sangue ferve e que a pureza venta
(iii)
plena quarta-feira e ele descalço na avenida. um meio da semana, o dia varanda, dia grávido, esse meio termo, meio fio, meia bomba, meia hora
faz cinco dias que ela saiu. faz tempo que a espera
veste o sapato e calça a vida.
(iv)
e a sua mania de índio de achar que só porque a pessoa esta na foto ela esta viva?
quando eu decidi que quero viver com isso, de qualquer jeito, flui.
algo como um rio que nos leva de mãos dadas. a correnteza comprova.
manca-me sua pele de fruta-esponja, as pintas nas costas e o mar de tinta cândida na frente
(v)
é. você resvala em mim e nesse meu jeito gingado de falar. reflexo dos meus sobressaltos e da felicidade decantada.
vai
deixa o reflexo te atingir como se fosse um raio
como se fosse uma raiva
mas sente
ouça
o que você mesmo sente
então, se você puder, tira uma foto
porque a foto é a soma do reflexo com o raio
e que o seu pensar seja o trovão.
(a)
sinto-te espelho, espelho meu
diz-me se há encanto mais belo que o teu?
das mãos opostas forma o coração e, então, faz-se festa milagrosa.
flutuando feliz reconheço-te trabalhado em nome irmão e cor de neve felina
gêmeos definitivos. ponto.
mas o que tens de mais teu é a maciez siamesa e um beijo sem precedentes
ao se perder em meus fios, enredou-me
pescador mas com sorriso no anzol
e a leve brisa fria que pontua minha busca por unir-me ao teus lábios para escolher diversas amálgamas, pretexto do beijo
língua-mente mas falando a verdade somente a verdade
com o gelo do copo e a língua de giz
rabisco teu corpo como quem aprende a escrever
você me pega com força e eu deslizo
(l)
escondo-me e me perco nas enormes linhas cor de chão que você tem, que cobrem suas idéias mais lindas, mais suas. para que ache. não enche.
e, ao me encontrar, que me engula e me devolva somente depois da sobremesa. do círculo infindável do doce supremo.
(e)
e todo atrativo, como é raro o meu krishna
são os panos que nos cercam, são amores que nos pegam
e deus nos quer horizontais
mas o tempo passa e tudo fica longe, fica monte, ficas monge. como os pés e o caminho.
sandália branca como as vestes e um sotaque invencível com direito a depressão depois
(g)
e o nome espelho que me cativa e eu sendo pregada por pinos de psicose
teu jeito de andar fez com que o mundo se tornasse errado
porque agora o certo é ter somente o seu gingado
e eu adoro isso: o bendito que te forjou para que se tornasse perfeito para mim. meu vírus preferido! o teu jeito balanceado de me conduzir.
e eu criança quando passas a língua na cartilha que carrego em meu coração infantil.
(educação física)
mas ao teu lado sinto grande e avassaladora a vida. e sou forte va via for you. idio/t/m/a.
(r)
e depois daquilo ficou bem difícil entender como alguém pode se apaixonar por outra pessoa que não seja você porque é tanta maciez que isso nuca será mais impossível. nuca sim. porque é o teu ponto forte e o meu fraco. e também porque você escolhe cada ato seu e adoça pra mim e as palavras você acaricia. e tem tanto amor no que me diz que você se torna o maior sinônimo do verbo amar. mesmo sem eu saber se existem sinônimos para verbos. porque veio de você todo aquele calor que eu senti no escuro. e veio daí a generosidade dos verdadeiros cavalheiros...
e eu passaria a vida ao teu redor, lavando teus pés de anjos. anjos dourados, anjos brancos.
(i)
eu sou fruto da soma de dois amores. metade azul, metade branco, metade ouro, metade mel.
teu verde perde-se no maduro que tem em si e eu fico de boca aberta esperando cair um pouco do teu açúcar escuro. o doce que corre dos meros encontros.
(a)
e ela que não queria saber mais disso se meteu em uma confusão do tamanho de um bonde pois bem nessa hora foi que quis muito. reconheceu sua alma logo de cara, ainda que (al)mal encarado, sim, mas de coração encantado. tem que esperar. tem que analisar. tem que aguardar. processando...
(e ele coordenando os passos daquela mulher. muito sábio aquele rapaz. sabia inclusive que aquilo era o caminho a ser trilhado porque ela sempre precisou de orientação mas nunca teve ou nunca quis ouvir o que lhe diziam. e assim foi.)
diziam-lhe para viver e ela sempre achou que viver era bem aquilo que fazia mas aí percebeu que o que fazia era morrer. e decidiu então deixar de morrer e de se matar pouco a pouco: escolheu viver. e ser feliz pra sempre.
e então disso nasceu um bichinho de chantilly, com muita gentileza nos olhos mistos, e ela não teve outra saída: ficou viva e sempre e mais.
(começo)