5 de dez de 2007

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ver ar que te pego no respiro
louca de tanto ficar: oxigenada
sou morena de asas abertas para a vida
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balanço
tamanho é o oxigênio que tiveram que cortar.me.dá.paredes lisas
pedreiro e massa corrida
orlando, preciso descansar

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aguardo a hora da visita pois quero te ver chegar
respirar o seu cheiro de tinta no papel
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dizem que a memória do sentido nos pega fundo
na esquina sinto te bancando o escritor
enquadra sua telas
no banho, espumo.
enquanto reflete, brilho.
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um livro escrito sobre mim que queima o seu filme
fora do box você pinga e eu em quadro tirando proveito dessa tela abstrata
sem tinta, sem cor: você água
a câmera treme.
são bolhas de ar.

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nesse charme secular eu olho tanto que fico seca
pálpebras pra cá escancaradas
cabelo preto e olhos pintados
o charme e seu olhar
cinema por entre cachecóis

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adorava me falar de lãs, bezerros e dons.
sem dizer verbos fortes que detesta (como esse).
e isso não é mentira que se faz e isso não é sorriso que some
e aquilo?
o que é não saber?
sem respostas.
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Dom, o toureiro, veste suas meias verdades.

...
(e dentro de um ventríloquo existe o que?)
o homem sem som algum que direciona seu falo pra lá
(pé quente é quem tem azar, é?)
havia barulho enquanto o sono era veneno puro
(a lei protege os que acordam cedo?)
tim tim tim
dó ré lá em cima do piano
(e há quem tenha muita sorte, mentira?)
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(V)
(F)
Exato.

....
sinceramente, eu não entendo uma linha sua
a letra, essa confusão, maiúsculas
ou tudo junto.
e a falta que me faz é tão obesa que teremos que operar.
serei meticuloso, pode se arrepender até.
mas aí eu espero que te entenda entre tanta ausência
as linhas ficam mais definidas, menos minúsculas
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acho que te acho assim, meio Caps, meio Lock.