28 de ago de 2006


Que sentimento ruim. Engano. Mas não é hora de frases feitas. Não foi ledo. Ninguém sabe o que significa ledo. Leigos burros. Eu, erudito.
Socorro: te odeio por me enganar a mim. Sim, duas vezes. Porque eu não erro nunca. Você sim. Escreve errado, leiga.
Eu, nem ao dar meu coração enrolado num laço, errei. Talvez o nó estivesse firme demais ou muito frouxo. Como você sempre falava que ele era. Ele. Não eu. Eu: macho. Que a anta sempre escrevia com xis. (E qual o problema?!)
Froucho e a trouxa de mãos dadas, escrevendo errado ainda.
Maxo: quebrei-lhe a cara, queixo partido, em dois, um pra cada um e foi pouco. Merecia terra por cima, na cara de louça. Cara de deus.
E meu presente pra brucha aos pedaços sobre o marrom do que um dia já foi vida.

Ela erra, eu não.

Te recolhi, passei álcool. É muita burrice pra uma mulher só. Não cabe em si mas cabe em mim, a( )colho. Encino. Adécuo. Imito. Adoro: emburrece-me, Socorro.

19 de ago de 2006

Vou limpar a minha casa. Arregaçar as mangas e abraçar a vassoura com as mãos.
Chega de esperar descer do céu.
Balde e sabão. Escorrego, mas não caio. Água água cachuá cachoeiro. Lambo a pele, por entre os dedos, a face e, nessa ignorância, o que sobra? Desinfetar. -Te.
(...)
Consuelo não mais retorna (foi o que ouvi dizer) e eu, mexicano, choro. Lágrimas de plástico sim, mas que valem algo no mercado negro. Menos do que uma de sal, é verdade, mas melhor do que nada. Mão na frente, mão atrás.
Mas que nada, já saiu, sumiu no não.
Saí da geladeira ensolarada (amarelo, azul).

Circulador de ar. Roda roda rum. Vou, pra nunca mais deixar-me envolver pelo sono. Acordei ontem. Fui útil sim, pra ti, mas quero pra mim. Na falta de colo dei-te o meu, fiquei sem ter onde dormir. Pois não. Dorme descansa deita. Pois sim.
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Interrompo o lançamento: (três) Lança-te (dois) lanceta-me: (um) sangro ao lado. (zero): Pouco, bem pouco, é verdade, mas ainda assim sangue.
O que sempre vale alguma coisa, nem que seja a metade em algum lugar.
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Joguei-a novamente aos peixes, jogando-me não entendo.
Garrafa n´água bóia. Socorro debaixo d´água: nada. O barulho das ondas cobrem.
Perdi-me perdi-te. SOS.
Eu acompanhando-me. Sal conseqüente. Mar garrafa ato.
Lancei: tum.
O sal brota de manteiga dos olhos salobros. Perco-me perco-te. Perdoa-me. Mais uma tal...vez.
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Intermitente prendeafrouxa altosbaixos.
Se um gráfico seria assim: MMM: plantação de pinheiros ou de emes, se se semeassem as letras. Silêncio.
Vou sumir por uns minutos, talvez volte, talvez não.

As forças nucleares utilizadas para correr contra a correnteza não deram em(e) nada.
Diz-se que sentir não rima com explicar: ir – ar: e você foi (passou?).
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Ama o presente como se santo fosse.
Tolera o passado como água parada: transdontonte.
O futuro: não. Porque não há.
Sobre a água: nuvem não é chuva.
E perspectivas são ideais e eu gosto de carne, barba, saliva e osso.
Se isso: presente: o que quero. Se.
Pode ser que passe o tempo e eu nunca saiba dizer exatamente o que isso significa pra mim. S ó s.

16 de ago de 2006

Nunca falei dele, hoje vou. Do colar mais lindo. E quem viu também foi desse jeitinho que falou. E foi presente dele alguns dias depois daquele, daquilo e, desde então, eu o carrego junto ao corpo, no pescoço.
Tiro só pra tomar banho e às vezes nem isso.

Levo-o no colo pra que fique mais perto.
O barulho das contas (quando ando) soma ao barulho do peito meu, quando vivo. E eu vivo demais. Ainda mais depois do presente.

As contas do colar que você me deu são bem amarradas, conectivos na medida, idéias, sensações. E eu, distraída, me pego olhando pra baixo, relendo-o, notando um sentido novo, um sentimento velho, a linha transparente que permeia a nossa vida.

É um enfeite da terra, graaande, que, quanto mais solta me deixa, mais eu volto: quando sinto, me sento e dou voltas ao redor do pescoço.
Prendo-me, por querer, no colar, prendendo-me em você.
E uma volta é sempre mais frouxa: pra gente respirar.
Adoro o jeito encanto, colar, seus contos, os cantos, sua voz gritando pra eu abrir a porta: jogo-lhe o colar. Que é o que de mais forte temos. Nós.

6 de ago de 2006

Quando a chuva cai nessa inclinação (45 graus, acho), eu desejo outras felicidades.
Quando o frio faz com que os passantes escondam seus braços sobre a lã, meus quereres mudam.
Num dia como o de hoje, queria uma vida pré-fabricada.
Ir ao estabelecimento comercial e comprar um quilo de soluções para o vazio. Um baú de respostas prontas e certeiras. Em outras palavras: o gabarito.
Às quase 23 horas do último dia do 7º mês do ano, quero ser fácil o suficiente para comprar sorrisos meus com reais.
Bolsa, sapato, pêras e a felicidade. Mas, ei, a alface vai por cima, pra não amassar as folhas.

Lembro os passos descalços que dei, infinitos. Com os quais mudei, calei, não-errei. Lembro. Sonho. Vivo. Lembro de sonho vivo.
Dor atual que conforta hoje, como penas de ganso. Balanço, temo, estranho.

À pouco, com a ajuda do algodão, retirei o escuro das mãos, sendo outra, clara, branca, sem cor. Só de pé, ainda bem, conforta-me.

Quando foi que mudou, o tempo, tudo. Como foi e, por falar nisso, como vai?

Não sonho mais, hoje não. Ontem sim. Penas de ganso. Conforto. Apenas lutei para não me enganar. Fatos importam, nuances servem para a poesia, o quadro, a luz.

Pra que jogar fora tanta coisa?
O lugar onde eu deveria estar não existe e fui eu mesma que respondi.
E tenho uma bota para os dias de chuva inclinadas. Mas não gosto dela desde o primeiro dia. Era verão e eu, pré-fabricada, não entendia nada.

Quem já me surpreendeu um dia, me cansou. Eu durmo. Talvez sonhe, talvez não.
Sem saber das razões, legitimações, pães, nãos, uma pena.
Broto de fio. Novelo de uma eu casula.
Quero mais. Uma vida só é pouco.
Sou minha.
Carlos porque sim.
Ouço seus dedos de mel. Sinto sua garganta no pescoço ao lado, sob minha cabeça. Derrete-me.
A granel, unhas cortadas indo pelo ralo.
Um frio de fazer viver os mais espertos. Queria-te aqui.
As pernas doem. Para onde foi, andou?
Mas a dor imobiliza. Estática no silêncio da casa ao lado, muros altos, novos.
Desde o dia em que o vizinho as deixou.
Ela, sem móveis, tomba. Mas o que tão de histórico pode ter?
Um violão encostado: histórico.
Um coração (só hoje) quebrado: histórico.
Um não-saber-nada homérico. Históico. Pré-.
A senhora cutuca pra dizer que chegou. Ela olha pra cima. Será que um dia chega aos cem, pensa. Se sim, certamente cutucará.
E a senhora, será que sente o peso da existência e tem crises? Acredita que sim, certamente, e das piores, daquelas de saber que pode ser o último aniversário do vizinho com ela ali.

A casa vazia, muros longos, cabelos curtos, essa dor nas pernas, essa mente alta, de mente, desassossego de alma.
O morango diz: teique-me: meus pêlos, sementes, seu gosto.
Vermelho você diz: teique-me.
Circular que circunda o vermelho: teique-me.
O que pode ser. Olhos e a fixação pelos olhos.
Pêlos, olhos, sementes. Vermelhos.
Quero-te coberto com açúcar mascá-lo.
Teique-me no subúrbio da madrugada, de letra torta, garranchos de uma sonâmbula, preâmbulo do que podemos nós. Epílogo: você diz: teique-me.
Rasteja ao lado da esteira rasteijante. Teique suas malas, pego meus morangos.
Litros de saquê: algo.
Livi-me em casa. Sente-se, quero ver como sinto o morango com o saquê.
O gosto da realidade do mundo em cor-de-rosa.